terça-feira, 17 de junho de 2008

Desrespeito, ignorância ou burrice?

Em todo o show business, existe uma classe de profissionais que se chama “Produtor Executivo” cuja missão é botar a mão na massa, resolvendo ou equacionando as problemáticas ou necessidades para que o evento ou projeto aconteça. Pode ser um show, um filme, ou uma peça de teatro, amador ou profissional. Quando alguma coisa dá errada, imediatamente ouve-se o grito: Ô produção..!? , que significa resolva já esse problema. É corriqueiro as companhias de teatro amador chegarem a uma cidade e não encontrarem as condições técnicas e humanas que foram solicitadas antecipadamente pela Produção Executiva, seja porque aquele com quem a Produção Executiva fez o contato, geralmente alguém que ocupa cargo na Prefeitura ou no Estado saiu em férias e não deixou nada organizado ou então não deixou seu substituto avisado do que iria acontecer ou até mesmo porque o contato é incompetente e não se mexeu mesmo. Nesses momentos, poucos são os que assumem a culpa que acaba sobrando para a Produção Executiva. No caso da Trupe Cobra D’água, houve ocasião em que a apresentação teve que ser feita em um pátio pequeno porque a chave da quadra estava com um professor ausente naquele período. Coube aos membros da Trupe carregarem todas as mesas e bancos para liberarem o espaço. Outro caso foi a apresentação ter que ser feita em um refeitório porque o pátio tinha as medidas necessárias, mas era em declive e repleto de colunas. Também a Trupe teve de carregar os bancos e mesas para liberar o espaço. Em outra oportunidade o espaço era ideal no entanto os restos da quermesse feita no dia anterior ainda estavam no chão. Sobrou prá trupe os serviços de varrição do local, não é Angela e Tânia? De todos esses pequenos contratempos, facilmente contornados pelos artistas que arregaçam as mangas e partem pro trabalho, o que mais entristece as companhias de teatro é a falta de providências do organizador local no que diz respeito à divulgação do espetáculo. Nada é tão ruim para o artista quanto a falta do público pois quando um artista se apresenta ele não visa somente os aplausos, mas também a possibilidade de formação de novos públicos consumidores de arte. Sendo assim, quando uma cidade ganha um espetáculo gratuito, como é o caso das “Aventuras do Rio Tietê”, o mínimo que se espera do organizador local, além de bem tratar os artistas, é conceder-lhes o aparato solicitado e principalmente procurar, de todas as formas, atrair o público para o local. Quando a prefeitura ou o organizador local não age dessa maneira, atesta que, além de desrespeitar a classe artística, o faz também com a sua comunidade pois cerceia-lhes o direito ao lazer e à informação, ignora a importância da cultura para a formação intelectual de seu povo e por fim atesta que a burrice é o que baliza o seu dia-a-dia.